segunda-feira, 16 de setembro de 2019

Confusão entre o nomes de dois ilustres militares : TOMÉ PINTO e TOMÉ FALCÃO


Há algum tempo um Camarada que não tenho o prazer de conhecer fez uma correção num post do meu blog CC 115 confundindo os nomes dos dois ilustres militares, sugerindo que eu quereria dizer TOMÉ PINTO onde referia TOMÉ FALCÃO.
Lamento Caro Camarada, mas não tem razão: esclareço que são dois militares distintos, e que ambos foram meus comandantes, portanto estou em ótimas condições para poder esclarecer: O Tomé Falcão, (Alípio Emílio Tomé Falcão), foi meu Comandante na Companhia de Caçadores 115, mobilizada em 
1961 pela Escola Prática de Infantaria, (Mafra); o Tomé Pinto é mais novo e foi Comandante Geral da GNR, mas muito mais tarde, onde  eu também me encontrava.
Espero ter sido suficientemente claro

A CC 115 no ALTO ZAMBEZE

E já lá vão 57 anos!!!
Que será feito daqueles alunos que frequentaram a "Escola da Tropa", primeiro debaixo de uma árvore, depois numa construção de adobos de barro e capim, coberta de capim à  Moda local, para abrigar as crianças das chuvas que ali são muito intensas até fazerem transbordar as águas do  Grande Rio Zambeze.
Se alguém vir este blog e tiver alguma memória desse tempo, ficaria muito contente se comentasse este post e dissesse qualquer coisa sobre esses tempos que não esquecerei jamais.
Agora tenho um abacateiro no meu quintal com 6 (seis) belas pêras-abacate e outras árvores, nomeadamente palmeiras,(sikas), que me fazem reviver esses tempos.

O Abacateiro plantado há cerca de cinco ano e que agora tem mais de cinco metros de altura e tem este ano 6, (seis) abacates
Esta é uma palmeira (SIKA) que está muito bonita.

sábado, 7 de fevereiro de 2015

ANIVERSÁRIO - 80 ANOS


A 30 de Janeiro de 2015 comemorei o meu octogésimo aniversário



terça-feira, 26 de abril de 2011

Vem aí o 50º Aniversário


Falta apenas um mês e dois dias para chegar a data do 50º aniversário do embarque da CC 115, integrando o Batalhão 114, rumo a Angola.



Por esse motivo terá lugar um encontro de camaradas veteranos de guerra na Unidade Mobilizadora da CC 115, em Mafra - EPI.



Aqui vai o desdobrável enviado aos camaradas conhecidos e localizados, pelo 1ºCabo Crípto VÍTOR HUGO SIMÕES SÁ.



Nota: Se alguém porventura não recebeu e visitar este blog, poderá imprimir o Boletim de Inscrição e enviar para o Vítor Hugo e será bemvindo. Para melhor lerem os textos aconselha-se a clicar sobre as imagens para aumentar o zoom.














quarta-feira, 19 de agosto de 2009

INFORMAÇÃO AOS VISITANTES

Em maio de 1962 terminou a missão da CC 115 na ZIN (Zona de Intervenção Norte).
Por isso termina aqui a referência à parte operacional da Companhia, ela continua na ZIL (Zona de Intervenção Leste - Lunda e Moxico, Alto Zambeze), para o que abri um novo blog: http://cc115.1.blogspot.com/ .
Espero lá ver os amigos que nos queiram visitar!

terça-feira, 28 de julho de 2009

48º Aniversário do Embarque da CC 115- Encontro de ex-combatentes (continuação)

Após a concentração em Tábua e visita ao monumento erigido e dedicado aos militares do concelho mortos nas guerras de África, dirigimo-nos para o Museu do Pão, em Seia, passando antes pela freguesia do nosso Anfitrião, Américo P. Alves, Vereador da Câmara de Tábua.
Depois de um lauto aperitivo no Centro Social da freguesia, onde a acção do Américo Alves está bem patente e documentada para a história por uma placa alusiva de reconhecimento pela dedicação e esforço de trabalho para o bem estar de todos os sócios e gentes da freguesia, seguimos directamente, pela "Estrada Real", (Estrada da Beira), na direcção de Seia, onde chegámos já perto das 14 horas.

A chegada à cidade de Seia é muito simpática, mas o Museu do Pão é difícil de alcançar, sobretudo para quem, como a maior parte de nós, já fez os "69"! Devido ao acidentado da zona, os autocarros não chegam ao interior nem à porta do complexo turístico/artesanal. Largam os passageiros a cerca de duzentos metros de distância que tem de ser vencida com pernas que já palmilharam muito e pedem descanso. Mas lá fomos e chegámos.

Entrados, instalámo-nos numa "mezanine" com vista para a encosta da grande serra, (Serra da Estrela), e sobranceira ao salão repleto de turistas e passantes.

O repasto, bem servido, (abundante e bem confeccionado, como convinha a ex-militares), foi degustado com alegria, em amena cavaqueira, relembrando mais uma vez situações passadas na guerra, cujas memórias já vão ficando muito longínquas. Por isso estes encontros são muito úteis para que essas vivências se vão prolongando no tempo.

Houve intervenções de alguns convivas que saudaram os camaradas, mas o mais expressivo, como de costume foi o nosso "vate" Furriel Coelho, que em tom muito inflamado de patriotismo, declamou uma quadras qe compôs expressamente dedicadas a este dia e encontro.

Composição heróico-poética apresentada pelo Furriel Coelho

A terminar e depois de brindados com lembranças especialmente relativas à Câmara Municipal de Tábua, onde o dinâmico Américo Pegado Alves é Vereador, teve lugar a partilha do "Bolo de Aniversário" de que se seguem duas fotos.



Depois do bolo bem regado com generoso espumante e de todos brindarem por longa vida e recordando os ausentes, começaram as despedidas.

Infelizmente, porque o tempo não permitiu, não pudemos visitar em pormenor o Museu do Pão, limitando-nos a ver o aspecto exterior e o Complexo Turístico serrano. Porque o comboio para Lisboa não espera tivémos de nos aligeirar e seguir directamente para a estação de Tábua, local de embarque.

segunda-feira, 8 de junho de 2009

48º Aniversário do Embarque da CC 115- Encontro de ex-combatentes

Decorreu no passado dia 30 de Maio, conforme o desdobrável que deixámos abaixo o encontro dos militares da CC 115, para comemorar o 48º aniversário do embarque da Companhia para Angola no Navio-M NIASSA, em 28 de Maio de 1961.

O ponto de encontro foi fixado junto ao edifício da Câmara Municipal de Tábua, mas para ali chegar, grandes trajectos alguns tiveram de fazer.

Por exemplo os que vinham da área da grande Lisboa deram corda aos sapatos cedinho, para às 08H30 apanharem o intercidades em Santa Apolónia ou, nove minutos depois, no Oriente.

Outros fizeram percursos ainda maiores como o Arménio Guerreiro, que se fez acompanhar da filha mais nova e veio de Faro, O Alberto (condutor) e seus dois irmãos "metralhas" que vieram do Porto e ainda e sobretudo o Valentim Marques emigrado na Alemanha.

Ainda no comboio começou o convívio em que sobressaiu o "Xapirrau", o mais exuberante de todos, reduzindo ao silêncio o Vítor Chora dos Santos, (Vítor Maluco), cujas características histriónicas são bem conhecidas.
À hora pré-estabelecida estávamos frente ao edifício da Câmara Municipal de Tábua, para, na escadaria, fazer uma primeira foto de grupo, embora ainda incompleto.



Em primeiro plano sentados: Domingos Ferreira, (Pèlinhas), Jorge Morais, Noca e Alberto Oliveira. Depois da esquerda para a direita: Augusto Santos, Joaquim Ribeiro, Manuel Simões, (o Lisboa), Albino Gonçalves, (Xapirrau), Américo Alves, (o anfitrião), Irmão (metralha) do Alberto e Condutor do autocarro da CM de Tábua. Reconheço ainda e mais atrás o Celestino Coelho e a seu lado o Alpídio Duarte. Depois o Arménio Guerreiro, o Manuel V Horta, o Artur Bento, (Alenquer), o Joaquim Monteiro e o Valentim Marques. Lá atrás, a bisbilhotar junto às grades, está o Vítor Maluco com a mão no ombro do António Colaço, conhecido por "Casqueiro". Esposas, filhos e netos de alguns ex-combatentes, abrilhantaram o convívio. Alguns já figuram nesta foto.


Monumento dedicado aos militares mortos na guerra do ultramar

Aproveitando a estadia em Tábua, e esse foi um dos pretextos para que o ponto de reunião fosse naquela próspera vila beirã, visitámos o monumento aos militares daquele concelho mortos na Guerra do Ultramar, em boa hora erguido numa das rotundas mais expostas da principal entrada da vila.

O Vítor Sá e o Xapirrau (foto-cine)

Arménio Guerreiro, Noca, Horta e Xapirrau

Os mesmos figurantes da foto anterior. A diferença nota-se apenas nos efeitos da água.

Manuel Simões, (Lisboa), e Xapirrau

Valentim Marques e Augusto Santos, (corneteiro).

Uma ordem caótica no frenesim da chegada e apreciação do monumento.

CC 115 no Cacuaco

A partir do princípio de Abril de 1962, as companhias do BC 114 começaram a ser rendidas nos seus locais de quadrícula e o Batalhão foi acantonar-se na região do Cacuaco, localidade piscatória a norte de Luanda, famosa pelos mariscos que dali saíam para as cervejarias da capital.


À CC 115 coube um local mesmo sobre a praia, o que permitia grande liberdade de movimentos a todo o pessoal, refazendo-se assim, dos maus tempos passados na zona de intervenção com todas as carências e péssimo ambiente, que nunca saberemos descrever com justeza.


Ali permanecemos cerca de um mês, ocupados em tarefas de recuperação dos homens e do material: aqueles no aspecto físico e mental e este no que se refere à manutenção, e reparação de avarias.


Além da ginástica e palestras adequadas, no sentido de dar aos militares uma maior compreensão sobre a sua própria vida e o ambiente em que estavam inseridos, preparava-se já a nova missão que nos iria ser atribuída na ZIL, (Zona de Intervenção Leste), onde ainda não existia sublevação dos povos autóctones e tudo seria diferente.
O Cacuaco era uma aldeia de pescadores artesanais que utilizavam as suas canoas, (troncos de grandes árvores magistralmente talhados para garantir a flutuação sobre as águas do mar que ali é bastante calmo).


Fotografia das canoas espalhadas pelo areal em tempo de repouso dos pescadores. Em primeiro plano vê-se com bastante pormenor a beleza da canoa e a grandeza da rede que contém, permitindo imaginar a faina da pesca nesta região. Cada canoa levava dois e às vezes três homens




sexta-feira, 22 de maio de 2009

Baixa importante no BC 114 - Morreu Lemos Pires




Morreu hoje, aos 79 anos de idade o Major General Lemos Pires!
Aqui o recordamos como Capitão, Oficial de Operações do BC 114.
Oficial de alto gabarito intelectual, moral, profissional e humano, desempenhou cargos de grande responsabilidade e de grau de dificuldade muito elevado.
Foi o último Governador Português de Timor, onde se viu enredado numa trama de interesses pessoais e políticos que retiraram um pouco do brilho das suas capacidades de comando e chefia, sem deslustrar a sua grande valia, uma vez que se viu absolutamente isolado e ostracisado pelo governo de Lisboa, não lhe restando outra alternativa senão retirar-se para a Ilha de Ataúro, por não poder tomar partido por qualquer das facções litigantes em Dili, onde se confrontavam dois partidos armados e sem qualquer hipótese de reconciliação.
No BC 114, (Angola desde 1961 a 1963), ainda Capitão, desempenhou, com grande brilho e eficácia, as funções de Oficial de Operações, criando em cada subordinado e colaborador um amigo e impondo-se ao comando com o respeito e consideração que lhe foram reconhecidos.
Morreu um Ilustre Português! Curvo-me perante a sua memória, que o tempo não apagará!
Apresentamos (CC 115) à Família do Maj-General Lemos Pires os mais sentidos pêsames e a nossa solidariedade neste momento difícil!

Em homenagem ao "Capitão" Lemos Pires, recordo um pequeno trecho retirado de um artigo que escreveu no J.N. em 26 de Junho de 2001, intitulado "O nosso batalhão", a propósito do encontro de elementos do BC 114, e que me foi trazido pelo Vitor Sá:

"...............
É assim o convívio dos ex-combatentes. Como que um chamamento que a cidadania lembra, obriga e recompensa na paz da consciência do cidadão que cumpriu o que a Pátria, ou em seu nome, então lhe pediu, e que não regateou.
Para o ano, de novo correrá o mesmo fuido de unidade, solidariedade, afirmação e paz, embora o motivo seja o de uma guerra que viveram e não gostaram. Mas isto só bem o sentem e bem o percebem os que lá foram (à guerra)."

quinta-feira, 21 de maio de 2009

As últimas Grandes Operações do BC 114 na ZIN

Com o Comando do BC 114 nas Mabubas, a CC 115 no Úcua, a CC 116 em Quicabo, a CC 117 em Quissacala e uma CC em reforço do Bat. na Roça Bom Jesus e com alguns Pelotões das Companhias projectados para pontos importantes da ZA, tais como Quibaba II e Quissacala II (Pedra Verde), Mazumbo, Anapasso e Balacende, a missão continuou a ser a de garantir a liberdade de movimentos em toda a zona.

Aspecto da vila de Úcua, embora numa foto posterior à nossa estadia
O IN tinha os seus santuários na grande floresta das margens dos rios Lifune e Dange, a montante da barragem das Mabubas, a oeste e noroeste do QUESSO, (Pedra Verde), onde encontrava não só protecção contra a observação aérea, mas sobretudo porque aí existiam, dizia-se, minas de sal, produto de grande valia para a subsistência dos guerrilheiros e populações pelos mesmos controladas.

Cordilheira do Quesso (Pedra Verde e os mamelões)

As patrulhas que eram diariamente lançadas, encontravam, com frequência, vestígios da presença humana em trilhos da floresta ou acampamentos abandonados recentemente, embora o contacto com o IN fosse inexistente por fuga deste ao aproximar das patrulhas.
Aí reside uma das maiores vantagens da guerra subversiva: os guerrilheiros só atacam ou respondem quando querem - tem o poder da iniciativa e surpresa. Só com métodos iguais se pode combater uma guerrilha bem instalada.
As nossas tropas que tinham uma preparação muito deficiente para este tipo de guerra, foram aprendendo e, em breve começaram a lançar patrulhas apeadas de pequenos efectivos, (Pelotão), que se tornaram muito mais eficazes.

OPERAÇÃO "GRANADA"
Recolhidas informações através das patrulhas e verificando-se vários vestígios da presença humana, o Comando determinou a realização de uma grande acção a que chamou "Operação Granada" e em que empenhou três grupos de combate de nível companhia.
A CC 115, reforçada com o 1º Pelotão da CC 166 e o 4º Pelotão da CArt 119, nos dias 28,29 e 30 de Janeiro/62, ocupou a Roça Bom Jesus e bateu as zonas entre Úcua, Roça Ângela, Mazumbo e Roça Bom Jesus sem estabelecer contacto com o IN.
RECONHECIMENTO DA JANGADA DO DANGE
Em 04Fev62 o 1º Pel da CC 166, em reforço da CC 115, recebeu a missão de patrulhar a picada entre Quissacala II e a Jangada do Rio Dange a fim de verificar da operacionalidade daquela jangada, elemento importante para a ligação até Quicabo e Balacende, localidades importantes, a norte daqueles rios.
O Pelotão deslocou-se em viaturas até Quissacala II, na base da Pedra Verde, e a partir dali, seguiu a pé até ao rio Dange, onde verificou que a jangada não se encontrava no local previsto e estava inoperacional. A picada decorre ao longo de floresta cerrada e mal permite a formação em coluna por dois, encontrando-se também muitas árvores cortadas, (abatises), a atravessar a picada. Por não haver outro carreiro conhecido, o Pelotão regressou pelo mesmo itinerário. A determinado ponto do trajecto, guerrilheiros emboscados num ponto do caminho, após a passagem dos militares, atacaram a retaguarda da coluna e tentaram avançar sobre os militares aos gritos de UPA:UPA! e WASSA:WASSA!, tal como no combate de Quicabo.
O ataque teve início com um sinal de apito estridente e após uma primeira arremetida os guerrilheiros recuaram ao sinal de outro apito e passado pouco tempo avançaram novamente, só não conseguindo a abordagem devido à barreira de fogo dos militares e à acção de uma arma muito eficaz que foi a Bazooka e das granadas de mão.
Felizmente os nossos militares não sofreram baixas de vulto além de um soldado com costelas partidas devido a queda e regressaram sem mais sobressaltos.
No dia seguinte apresentaram-se no acampamento em Úcua dois nativos que informaram a existência de dois mortos e vários feridos entre os guerrilheiros, em resultado daquele ataque.
Este episódio, juntamente com as informações que vinham chegando ao Comando da actividade do IN em toda a ZA, foram motivo para dar início à preparação da grande operação em todo o sector - a....

"OPERAÇÃO PÉ LEVE"
Foi certamente a maior operação militar levada a efeito na zona dos Dembos, depois da Operação Viriato, quer devido à grande área abrangida, quer pelos efectivos e meios militares empenhados, que até foram muito maiores.
Decorreu entre 13 e 23 de Fevereiro de 1962 e nela tomaram parte 4 Companhias do BC 114, (CC 115, CC 116, CC 117 e CC 66 em reforço), 2 Companhias do BC 137, (CC 63 e CC 140), a CC 187 do BC 186, CC 269 (caçadores especiais), do BC 261, a 3ª CPARAS, 2 BArt, (146 e 147) e 1 Pelotão da CSap 123.

Esquadra de Canhão sem recuo - Lembramos aqui o saudoso Furriel Boieiro


Peça de artilharia de campanha
Interveio ainda a FA, em vários episódios, conforme era solicitado pelos respectivos comandos no teatro de operações, quer em observação e vigilância aérea, quer em intervenções de apoio de combate.
O Comando Avançado fixou-se em Quicabo e dispunha de um avião ligeiro, tipo DORNIER, que utilizava conforme o evoluir da operação, fazendo-se acompanhar do oficial observador de artilharia, que dirigia os fogos pedidos pelos diversos comandos de subunidade no terreno.

Dornier transportando o Comando aéreo do BC 114, levantando da pista de Quicabo


Dornier sobrevoando os montes Quiunenes
A área abragida pela operação foi todo o concelho do Dande, incidindo especialmente nas áreas de grande floresta tropical das margens dos rios Lifune e Dange, tendo como limites exteriores Caxila e Birila a Oeste, os montes Quiunenes (N'ZOA) a norte, a cordilheira do QUESSO, (Pedra Verde) a nascente e a estrada Sassa-Úcua a Sul, incluindo a Roça Bom Jesus e o Mazumbo a sul desta estrada.

Pedra Verde


N'ZOA, o mais alto dos Quiunenes
Os grandes objectivos da operação foram: localizar e contactar com populações controladas pelos guerrilheiros de modo a tentar recuperar alguma dessa população para o nosso lado e, sobretudo, provocar instabilidade e insegurança entre os guerrilheiros, de modo a conquistar a surpresa e iniciativa que, até ali, estava exclusivamente do lado dos mesmos guerrilheiros, localizando e destruindo os seus pontos de observação e vigia e, evidentemente abater os guerrilheiros que resistissem ou se opusessem à acção das NT.
É de toda a justiça salientar nesta operação, tal como já acontecera na Beira Baixa, em Agosto/Setembro de 1961, a acção de comando do Capitão Falcão, (Alípio Emílio Tomé Falcão), que, á frente dos militares da CC 115, revelou as suas altas qualidades de comando e direcção, levando-os, com entusiasmo e audácia, a enfrentar situações muito adversas e de grandes sacrifícios, que todos sempre aceitaram, seguindo o exemplo e entusiasmo do seu Comandante.

quinta-feira, 30 de abril de 2009

48º Aniversário de Embarque da CC 115

Clic com o rato sobre as imagens para aumentar o zoom

Quem não tiver sido contactado pode printar o cupão abaixo e inscrever-se enviando para o Vitor Hugo Simões Sá, na direcção supra

segunda-feira, 27 de abril de 2009

A melhor evocação do 25 de Abril de 1974

Por deferência do Camarada Valadas Horta que me enviou estas duas preciosidades aqui fica uma referência ao "25 de Abril"

sábado, 4 de abril de 2009

A CC 115 no Úcua e Pedra Verde

Com a nova disposição das tropas a partir do princípio de Janeiro de 1962 a CC 115 foi ocupar a povoação de Úcua, onde permaneceu o Comando+ Pel Ac e dois pelotões de caçadores, indo um pelotão (o 3º) para a Roça Quibaba (Quibaba II) e outro, o pelotão do Alferes Sequeira em reforço da CC 115, para Quissacala da Pedra Verde (Quissacala II).

Não tenho grandes recordações de Úcua, senão que era a sede de uma grande fazenda produtora de sisal, café e extracção de madeira, além de ser um ponto estratégico importante para as comunicações terrestres com o norte e todo o interland de Angola, (Dembos e Quanza Norte).

A povoação propriamente dita não tinha interesse especial nem havia habitantes além da tropa porque todos haviam fugido para o mato.

Vegetação tropical com cachos de bananas como enquadramento

Agora são as palmeiras que servem de fundo

O tanque da Fazenda foi uma boa piscina de ocasião

O Noca e o Cabo Teófilo refrescam-se do calor tropical

A Fazenda do Úcua pertencia a uma companhia denominada "CUNHA & IRMÃO" e era constituída por uma grande extensão de sisal. Esta matéria prima, depois de sofrer uma primeira transformação no "engenho" existente na Fazenda, seguia para exportação, nomeadamente para a Metrópole, onde, na Cordoaria Nacional, actual Museu da Cordoaria, era transformada em cordâme para amarração dos navios nacionais e para exportação.

Plantas de sisal em plena produção

Um aspecto em que sobressai a área de floresta

Além do sisal compunha ainda esta grande Fazenda enorme extensão de floresta, santuário de produção de café que se estendia até às encostas de floresta virgem do QUESSO, (cordilheira constituída por cinco elevações em linha, aproximadamente sul-norte, e que numa das extremidades tinha a Pedra Boa e na outra a Pedra Verde ou QUESSO propriamente dito, ficando no meio três mamelões muito característicos pela sua configuração arredondada e disposição simétrica, sugerindo dois deles, os seios de uma mulher deitada, a que não faltavam os respectivos mamilos constituídos por tufos salientes de árvores, na crista topográfica).

Os ditos mamelões

O Valadas Horta, sempre na crista da onda, deixa-se fotografar em Quibaba, com os mamelões em fundo

Outra pose do Valadas Horta, agora acompanhado e carregado de ananases, tendo em fundo a extremidade sul da cordilheira do QUESSO, a Pedra Boa. Vê-se o desaterro cavado na serra por onde se circula na estrada para Quitexe.

A poente desta cordilheira localizava-se a Roça Quibaba, muito rica em café, madeiras exóticas tropicais e toda a espécie de frutos silvestres desde bananas a ananases em produção espontânea por entre a floresta. Era igualmente propriedade da tal companhia "CUNHA & IRMÃO" e para ali foi destacado o 3º Pelotão da CC 115.

Uma foto do grupo de recolha de ananases com o barracão/caserna de Quibaba II em fundo


Um exemplar de bananeira selvagem, em ambiente natural em Quibaba II


Num dia chuvoso do princípio de Janeiro, já não tenho referência de datas certas porque a minha pequena agenda terminou, o 3º Pelotão deslocou-se de Úcua para Quibaba II, numa coluna de cinco ou seis viaturas ligeiras de transporte de pessoal guarnecidas com atrelados para transporte dos equipamentos e géneros alimentícios para uma semana, no mínimo. Ao percorrer um vale, por estrada alcatroada com declive descendente, mas pouco acentuado, numa curva aberta e com velocidade reduzida, um jepão "DODGE", 3/4 TON, entrou em derrapagem e virou-se, caindo para o lado direito, valendo o atrelado que impediu que ficasse com as rodas para cima, permitindo assim que o pessoal transportado saltasse para a berma sem perigo de ser esmagado pelo próprio jepão. Reposta a viatura na posição normal, continuou a viagem que chegou ao destino sem mais novidade.

A estadia em Quibaba II foi relativamente calma, com muitos recursos naturais como se pode ver pelas fotos e o ambiente tropical em época de chuvas, bastante agradável.

Para quebrar a rotina, verificou-se uma ocorrência deveras singular: numa noite já depois do recolher, uma sentinela deu o alerta porque o barracão/caserna estava a ser "atacado".

Analisada a situação foi necessário tomar medidas adequadas para conter uma invasão de grandes formigas que, em formação ordenada e em linha que circundava quase todo o barracão, avançavam para este, sabe-se lá com que objectivo, mas não seria bom certamente.

Não havendo meio de conter tão grande invasão, alguém se lembrou e o comando sancionou que se fizesse um grande sulco cirular entre o barracão e a formação de ataque inimiga e nele se lançasse gazolina a que se deitaria fogo logo que atingida pelo inimigo, o que aconteceu, mas sem todo o cuidado porque o soldado Serra foi atingido pelas chamas ao deitar gazolina em reforço das chamas que se estavam a extinguir. Houve necessidade de o atabafar com cobertores para evitar que sofresse queimaduras graves.

O Mito da Pedra Verde

Quissacala da Pedra Verde era um povoado muito grande a avaliar pelo número de casas indígenas que se encontraram, algumas apresentando já algum conforto, denotando que os seus ocupantes eram pessoas com algum poder económico e socialmente importantes. Alguns dos seus habitantes já eram mesmo detentores de automóvel próprio, resultado do bom êxito na produção de café, que surge quase espontaneamente na região e valor de mercado deste produto.
Esta realidade social não era do interesse de "CUNHA & IRMÃO" com quem existia um litígio de direito de passagem.
Estávamos ali em presença de um dos casos mais típicos de colonialismo: os habitantes locais não estavam dispostos a dar mão de obra para a safra do café e outros trabalhos do fazendeiro e este "importava mão de obra" de outras regiões de Angola, nomeadamente do planalto do Bié, mais precisamente do Bailundo.
Além disso os habitantes de Quissacala para chegarem à estrada alcatroada tinham de atravessar uma parte da Roça Quibaba. Enquanto o faziam a pé, o colono não se importou, mas quando surgiram os automóveis as coisas alteraram-se: para passar na picada que atravessava a roça era preciso autorização do "patrão", que colocou duas grandes colunas de concreto ligadas por grossas correntes de ferro e presas por forte cadeado a atravessar a picada, sendo impossível contornar esse obstáculo devido à presença de gigantescas árvores típicas da região.
Por este motivo especialmente, os guerrilheiros mostravam agora maior resistência ao avanço das tropas nesta zona, (o BC 96 ao tentar passar no sítio da correntes, sofreu aí o seu maior desaire, em 10/11 de Junho de 1961, tendo sofrido baixas e perdido algum material para o IN).

Daqui terá nascido outro mito: O Mito da Pedra Verde inacessível e inexpugnável!

Este é o QUESSO (PEDRA VERDE).
Da missão da CC 115, no Úcua, fazia parte garantir a segurança das colunas em trânsito para norte e nordeste e ainda reabastecer algumas unidades do interland, nomeadamente a sedeada na Roça Bom Jesus, onde me recordo de ter ido encontrar, um dia em que comandei uma dessas patrulhas de reabastecimento, os militares todos com o cabelo cortado à escovinha, por opção pessoal, para se moralizarem e reforçarem o espírito de corpo.

Aqui um aspecto da picada para a Roça Bom Jesus, num dia de época de chuvas

Na mesma picada, outro aspecto das "interessantes" condições de trânsito