"Tínhamos todos vinte anos", como muito bem disse o Camarada Furriel SanBento, no encontro de Sines! E, alem disso, estávamos todos possuídos, (como que alienados), pela ideia do IMPÉRIO, que nos fora incutida desde os bancos da escola, e fazíamos parte de um povo, todo ele igualmente possuído pela mesma ideia imperialista, embora camufladamente não se falasse de império mas sim de uma nação una e indivisível desde o Minho a Timor, com uma metrópole e províncias ultramarinas.
Nem tínhamos consciência clara de que íamos para a guerra: a propaganda e a ausência de liberdade de imprensa não permitiam ver a realidade das coisas. Os acontecimentos de Angola eram vistos como actos de banditismo de terroristas e bandoleiros, como então se dizia. Ninguém aceitava que os "nossos" indígenas africanos pudessem revoltar-se contra os seus senhores. Isso era coisa de congolês contra os belgas. Os "nossos" eram fiéis à "pátria"! Até havia um tratado de Simulambuco em que o rei do Congo se submetia à coroa portuguesa, como podiam agora os "nossos pretinhos" renegar a "pátria"?
Férias para despedida dos familiares e amigos! Nada mais natural, cada um fê-lo à sua maneira, deixando o maior número de laços possível para depois poderem relacionar-se, em tempos de saudade e melancolia, senão de sofrimento duro. Escusado será dizer que, cada um, procurou arranjar o maior número de "madrinhas de guerra". Lembro-me de que, por minha parte, arranjei algumas oito ou dez, só que nem todas cumpriram o seu dever de solidariedade para com o "afilhado", e ainda bem porque não seria possível corresponder-me com tanta gente. Havia escassez de aerogramas, pelo menos de início, como é sabido.
Enfim lá nos despedimos como pudemos e a 25 de Maio estávamos em Mafra de novo, prontos para as cerimónias de despedida, então da Unidade Mãe, a Escola Prática de Infantaria.
sábado, 17 de maio de 2008
sexta-feira, 16 de maio de 2008
Preparação para a guerra (continuação)
Voltemos então ao enquadramento: no período entre 10 e 17 de Maio de 1961 a CC 115 dedicou-se à instrução de dia e de noite, sobre os cenários previsíveis que iríamos encontrar em África. Na Tapada de Mafra decorreram exercícios práticos de emboscada e contra emboscada, prática de tiro instintivo e luta corpo a corpo, decorrendo esta actividade de dia e de noite, em cenários o mais possível semelhantes aos que julgávamos ir encontrar em Angola.
Só não se percebeu muito bem o que se pretendia, quando, uma noite, a Companhia em ordem de marcha, armada e municiada com munições reais, ocupou os corredores do Convento de Mafra, em posição defensiva de combate e pronta para abrir fogo, à ordem, sobre alguém que nunca se soube quem fosse.
Outras guerras, que agora não interessa referir, mas tão só aflorar como resquícios da abortada "Abrilhada" do General Botelhio Moniz a que já nos referimos noutro local.
Neste período, fizeram-se os aprontos de materiais, especialmente fardamentos e outros objectos pessoais, que haviam de acompanhar cada militar, tendo como mais expressivo o famoso saco cilíndrico, onde cabia tudo, desde botas aos apetrechos de barba, sem esquecer a chapa de identificação, constituída por um disco metálico, diametralmente dividido por um picotado, para facilitar a fractura, contendo em cada semi-círculo o número, o nome e o grupo sanguíneo do respectivo militar, que a devia usar permanentemente, pendurada ao pescoço.
Só não se percebeu muito bem o que se pretendia, quando, uma noite, a Companhia em ordem de marcha, armada e municiada com munições reais, ocupou os corredores do Convento de Mafra, em posição defensiva de combate e pronta para abrir fogo, à ordem, sobre alguém que nunca se soube quem fosse.
Outras guerras, que agora não interessa referir, mas tão só aflorar como resquícios da abortada "Abrilhada" do General Botelhio Moniz a que já nos referimos noutro local.
Neste período, fizeram-se os aprontos de materiais, especialmente fardamentos e outros objectos pessoais, que haviam de acompanhar cada militar, tendo como mais expressivo o famoso saco cilíndrico, onde cabia tudo, desde botas aos apetrechos de barba, sem esquecer a chapa de identificação, constituída por um disco metálico, diametralmente dividido por um picotado, para facilitar a fractura, contendo em cada semi-círculo o número, o nome e o grupo sanguíneo do respectivo militar, que a devia usar permanentemente, pendurada ao pescoço.
quarta-feira, 14 de maio de 2008
Contra o uso e abuso da partícula "ex"
Hoje não tenho matéria especial para postar. O facto de o Primeiro Ministro ter fumado no avião, não me preocupa. Mas apetece-me discorrer sobre expressões que utilizamos, nem sempre da melhor maneira, na minha opinião: refiro-me ao uso e abuso da partícula "ex", quando nos referimos aos postos dos militares camaradas de armas, que andaram na guerra.
Esta expressão entrou na gíria depois do 25 de Abril e começou por se aplicar aos "ex-pides" e pegou de tal maneira que depois se aplicou a tudo quanto tinha sido passado.
Ora, eu não renego o meu passado, isto é, eu sou tudo o que já fui e o que sou agora. Portanto, de acordo com este princípio, nunca utilizarei, a não ser por distracção, a expressão "ex" quando me referir a qualquer dos meus camaradas da guerra.
Esta expressão entrou na gíria depois do 25 de Abril e começou por se aplicar aos "ex-pides" e pegou de tal maneira que depois se aplicou a tudo quanto tinha sido passado.
Ora, eu não renego o meu passado, isto é, eu sou tudo o que já fui e o que sou agora. Portanto, de acordo com este princípio, nunca utilizarei, a não ser por distracção, a expressão "ex" quando me referir a qualquer dos meus camaradas da guerra.
terça-feira, 13 de maio de 2008
Os 5 Oficiais Operacionais da CC 115
Após a distribuição do fardamento de kàqui amarelo, os Oficiais da Companhia deixaram-se fotografar para a posteridade. Repare-se que os bonés ainda não exibem todos as armas de Infantaria, apenas o Tenente Cipriano Pinto tem esse acessório: eram novos! O referido Oficial destaca-se pela elegância e pela afabilidade com que sobrepõe as mãos nos ombros dos camaradas.
Clik para aumentar.

Ao centro o Comandante da Companhia, Capitão Alípio Emílio Tomé Falcão;
O segundo a contar da direita o Adjunto da Companhia e Comandante do Pelotão de Acompanhamento, Tenente António Cipriano Pinto;
O primeiro à esquerda o Comandante do 1º Pelotão, Aspirante a Oficial Gualter Leite de Freitas;
O segundo a contar da esquerda o Comandante do 2º Pelotão, Aspirante a Oficial João Lima Barreto;
O primeiro à direita o Comandante do 3º Pelotão, Aspirante a Oficial António Nobre de Campos.
Nota do bloguer: -Na data de embarque os Aspirantes a Oficial serão promovidos a Alferes.
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Ao centro o Comandante da Companhia, Capitão Alípio Emílio Tomé Falcão;
O segundo a contar da direita o Adjunto da Companhia e Comandante do Pelotão de Acompanhamento, Tenente António Cipriano Pinto;
O primeiro à esquerda o Comandante do 1º Pelotão, Aspirante a Oficial Gualter Leite de Freitas;
O segundo a contar da esquerda o Comandante do 2º Pelotão, Aspirante a Oficial João Lima Barreto;
O primeiro à direita o Comandante do 3º Pelotão, Aspirante a Oficial António Nobre de Campos.
Nota do bloguer: -Na data de embarque os Aspirantes a Oficial serão promovidos a Alferes.
Placa identificadora
segunda-feira, 12 de maio de 2008
Preparativos para a guerra
De 10 a 17 de Maio, enquadrada a CC 115 na EPI, Mafra, decorreram os actos preparatórios para a guerra: antes de mais, toda a Companhia foi submetida a uma inspecção por uma Junta Médica e Militar para averiguar das condições sanitárias e físicas de cada um para servir no Ultramar,(fomos todos apurados!!!), sendo ministradas as vacinas exigídas e distribuídos os comprimidos para purificação de água e outros fins adequados; simultaneamente decorria instrução teórica sobre os poucos conhecimentos adquiridos no C.I.O.E., àcerca da guerra subversiva e guerrilha.
Na ginástica e na ordem unida fazia-se o entrozamento dos vários elementos constituintes dos pelotões, para conseguir a tal unidade, amizade e companheirismo, (espírito de corpo), tão necessários para enfrentar os tempos difíceis que se adivinhavam.
Durante estes dias foram distribuidos fardamentos de càqui amarelo que se julgavam adaptados ao ambiente onde iríamos actuar. Depois se veria o anacronismo desta opção de fardamento, uma vez que íamos actuar em floresta verdejante e não no deserto.
Os oficiais da companhia tinham direito a usar uma farda branca para as cerimónias oficiais: eram os usos coloniais no seu melhor!
Lembro-me que no dia 12 me desloquei a Lisboa com os outros oficiais para mandar fazer a farda branca nas Oficinas Gerais de Fardamento. Aproveitei para, num armeiro que havia na Praça da Figueira, "Silva", comprar, por 1.200$00, uma pistola FN de calibre 7.65, para defesa pessoal, que me acompanhou durante toda a comissão e ainda hoje guardo com muito cuidado.
Na ginástica e na ordem unida fazia-se o entrozamento dos vários elementos constituintes dos pelotões, para conseguir a tal unidade, amizade e companheirismo, (espírito de corpo), tão necessários para enfrentar os tempos difíceis que se adivinhavam.
Durante estes dias foram distribuidos fardamentos de càqui amarelo que se julgavam adaptados ao ambiente onde iríamos actuar. Depois se veria o anacronismo desta opção de fardamento, uma vez que íamos actuar em floresta verdejante e não no deserto.
Os oficiais da companhia tinham direito a usar uma farda branca para as cerimónias oficiais: eram os usos coloniais no seu melhor!
Lembro-me que no dia 12 me desloquei a Lisboa com os outros oficiais para mandar fazer a farda branca nas Oficinas Gerais de Fardamento. Aproveitei para, num armeiro que havia na Praça da Figueira, "Silva", comprar, por 1.200$00, uma pistola FN de calibre 7.65, para defesa pessoal, que me acompanhou durante toda a comissão e ainda hoje guardo com muito cuidado.
sábado, 10 de maio de 2008
A CC 117 Faz o seu encontro anual
Recebi do 1ºCabo 12/58 da CC 117, Benjamim de Castro Morim o seguinte e-mail que publico com muito gosto. Oxalá que ajude a comparecer muitos camaradas daquela Companhia.
Assunto: Almoço Confraternização 2008
Caros Amigos da C. Caç. 117:
Este ano, o convívio será organizado no Monte de S.Gens, - Trofa.
A concentração terá lugar junto à Capela local a partir das 10:00 horas no dia 25-05-2008 onde será celebrada ás 12H00 horas missa pelo nosso Tenente-Coronel Capelão – Pde. Carlos Mesquita.
Finda a missa, faremos a deslocação a pé para o restaurante, que fica muito próximo, onde será servido o almoço de convívio entre todos os ex. militares e seus familiares.
Custo do almoço por adulto 22,50€
Custo do almoço crianças até aos 12 anos 11,00€
Este ano a organização é da responsabilidade do ex.1º cabo nº 776/60 António Oliveira Matos.
Agradeço a maior brevidade possível, espero resposta até ao dia 15 de Maio, para o efeito, podem utilizar o fundo da carta para envio por CTT ou ainda contactar pelos
Telefs.nºs.965 592 689 António Oliveira Matos
Ou 966 459 821 A.Ribeiro e 966 798 218 B.Morim
Cumprimentos,
António Oliveira Matos
ex.1º cabo 776/60
"--------------------------------------------------------------------------------------------------
Com um abraço do ex 1º cabo 12/58 da C.Caç 117
BENJAMIM DE CASTRO MORIM
RUA 31 DE JANEIRO, 160 - R/C - ESQ
4490-533 POVOA DO VARZIM
bmorim@sapo.pt
Assunto: Almoço Confraternização 2008
Caros Amigos da C. Caç. 117:
Este ano, o convívio será organizado no Monte de S.Gens, - Trofa.
A concentração terá lugar junto à Capela local a partir das 10:00 horas no dia 25-05-2008 onde será celebrada ás 12H00 horas missa pelo nosso Tenente-Coronel Capelão – Pde. Carlos Mesquita.
Finda a missa, faremos a deslocação a pé para o restaurante, que fica muito próximo, onde será servido o almoço de convívio entre todos os ex. militares e seus familiares.
Custo do almoço por adulto 22,50€
Custo do almoço crianças até aos 12 anos 11,00€
Este ano a organização é da responsabilidade do ex.1º cabo nº 776/60 António Oliveira Matos.
Agradeço a maior brevidade possível, espero resposta até ao dia 15 de Maio, para o efeito, podem utilizar o fundo da carta para envio por CTT ou ainda contactar pelos
Telefs.nºs.965 592 689 António Oliveira Matos
Ou 966 459 821 A.Ribeiro e 966 798 218 B.Morim
Cumprimentos,
António Oliveira Matos
ex.1º cabo 776/60
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Com um abraço do ex 1º cabo 12/58 da C.Caç 117
BENJAMIM DE CASTRO MORIM
RUA 31 DE JANEIRO, 160 - R/C - ESQ
4490-533 POVOA DO VARZIM
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