terça-feira, 17 de fevereiro de 2009

Voltemos a Angola de 1961 - Quicabo

Ainda antes do Natal e aí por fins de Novembro chegaram a Quicabo as esposas de quatro oficiais da Companhia e deu-se início a algum alívio da pressão permanente que se verificava sobre o pessoal.
Nesse sentido alguns militares foram mesmo autorizados a ir passar cinco dias a Luanda e alguns houve que, por vários motivos, foram premiados com uma viagem de avião à Metrópole: casos do Durval e do Horta, para citar apenas os mais próximos, aquele porque sendo natural de Sines, facilmente se deslocaria até junto de minha Mãe a dar notícias minhas e o segundo porque, sendo natural de Mértola, passaria por Beja onde se encarregaria de entregar uma pequena lembrança a meu saudoso irmão Manuel que ali trabalhava nos CTT.
A mim coube-me gozar cinco dias em Luanda a partir do dia 28 de Novembro, juntamente com o Alferes Freitas que, sendo residente naquela cidade, ali tinha a sua família a quem fui apresentado. Recordo a Delfina, uma senhorinha de dezoito aninhos bem feitos que já fazia muita companhia e a irmã mais nova, Emília Rosa, uma linda adolescente com a irreverência própria da idade: passámos duas tardes agradáveis na praia da Ilha de Luanda.
Recordo também o Cinema Mira Mar: uma construção adequada aos trópicos, tipo esplanada ao ar livre, em anfiteatro virado para o mar, mesmo sobre a baía de Luanda, tendo o ecrã como fundo, o próprio mar.
Fiz-me alojar no Hotel Europa, onde a diária era já significativa: 80$00, (oitenta escudos angolanos ou “angolares”, como diz a minha pequena, mas esclarecedora agenda).
Seguem-se algumas fotos relativas e esses preciosos cinco dias em Luanda.

Numa esplanada de Café, em Luanda


Outro aspecto da mesma esplanada de Café

A minha agenda refere que a 18 de Dezembro deu-se a invasão de Goa pelas tropas da Índia, e depois veio o Natal passado nos abrigos de Quicabo, com celebrações individuais e em que a minha agenda refere que “nem sequer recebi correio!”. Foi talvez o Natal mais sombrio de todas as nossas vidas.
Entretanto, com a Companhia a guarnecer Quicabo, Balacende e Ponte do Lifune o tempo foi passando e houve lugar a algumas fotos que revelam várias facetas: umas de alguma ociosidade aparente como as de Quicabo e Balacende e outras mesmo da frequência de algum “resort” tropical, como agora se diz, e a foto do Arménio Guerreiro em pleno Rio Lifune bem mostra. Mas a realidade era bem diferente!

Branquinho,Noca, Bragança, Pintor e o saudoso Henrique em 1º plano.

Serra, Noca e Guedes
Veja-se em fundo e junto ao chão as telhas de zinco que cobriam os abrigos

O Cabo Bolrão com o seu mascote "Lifune" no meio da torrente do Rio Balacende
VALHOR no ripanço do "resort" do Lifune

Arménio Guerreiro, qual Tarzan, no meio do Rio Lifune
Repare-se na diferença de cor do braço e do antebraço: a prática do "resort" não era muita.
"SPA" de Quicabo em 1961. Vitor Hugo S. Sá no seu melhor!
Furriel Sanbento, (açoreano) e outros elementos da CC 115 exibem um trofeu, grande giboia morta a tiro. Além do Sanbento reeconheço o Vitor Sá, pelo penteado, o Durval, depois o São Martinho pela cabeleira e finalmente o Horta.
Corrijam-me, se estiver errado, por favor!

domingo, 1 de fevereiro de 2009

Uma jornada ao Sudoeste Alentejano

A chuva e a intempérie não constituiram obstáculo aos amigos que quiseram deslocar-se ao Monte do Cerro, no Cavaleiro, (Cabo de Sardão), freguesia de São Teotónio, para homenagear o familiar de uns, vizinho e companheiro de outros, camarada de armas de outros e Grande Amigo de todos, - o aniversariante ARMÉNIO JOÃO GUERREIRO.


Momento da chegada do Artur da Diabrura, animador da festa com viola e Cante

O Senhor e veterano Xico de Totenique marcou presença, apesar das suas nove décadas

O Casal Valadas Horta deslocou-se do Montijo para abraçar o amigo Arménio

Hoje os 3 Magníficos camaradas de armas na CC 115: MVHorta, Noca e Arménio

O aniversariante Arménio Guerreiro fala com o seu compadre, outro grande animador da festa, este com Cante e poesia, (quadras populares).
Valadas Horta fala com o antigo camarada no Caçadores 5
A Anfitriã e a esposa do Amigo Armindo
Armindo no meio das mulheres.
Valadas Horta fala com as filhas dos anfitriões
Aspecto da casa/museu do Monte do Cerro
Outro aspecto com a mesa de apoio e zona de copa
Outro aspecto informal da zona de copa

Quando se juntam 3 alentejanos e uma viola campaniça, há Cante com certeza

Valadas Horta mostra o 1º Volume do trabalho que está a realizar sobre a CC 115

Finalmente o Bolo de Aniversário dedicado ao anfitrião Arménio João Guerreiro, com motivos de pesca, sua grande paixão.

segunda-feira, 19 de janeiro de 2009

NOVA LEI PARA OS EX-COMBATENTES

Caros camaradas
Porque pode ter interesse para os menos jovens ou para esclarecimento dos que com eles serviram durante a guerra que precedeu a independência das antigas colónias, aqui fica a Lei nº 3/2009.

Diário da República, 1.ª série — N.º 8 — 13 de Janeiro de 2009
ASSEMBLEIA DA REPÚBLICA
Lei n.º 3/2009, de 13 de Janeiro Regula os efeitos jurídicos dos períodos de prestação de serviço militar de antigos combatentes para efeitos de atribuição dos benefícios previstos nas Leis n.os 9/2002, de 11 de Fevereiro, e 21/2004, de 5 de Junho.
A Assembleia da República decreta, nos termos da alínea c) do artigo 161.º da Constituição, o seguinte:
CAPÍTULO I
Disposições gerais
Artigo 1.º -Objecto
A presente lei regulamenta o disposto nas Leis n.os 9/2002, de 11 de Fevereiro, e 21/2004, de 5 de Junho, e define os procedimentos necessários à atribuição dos benefícios decorrentes dos períodos de prestação de serviço militar em condições especiais de dificuldade ou perigo.
Artigo 2.ºÂmbito de aplicação pessoal
O disposto na presente lei aplica -se aos antigos combatentes:
a) Beneficiários do sistema previdencial de segurança social;
b) Beneficiários dos regimes do subsistema de solidariedade do sistema de segurança social;
c) Subscritores ou aposentados da Caixa Geral de Aposentações;
d)Abrangidos por sistemas de segurança social de Estados membros da União Europeia e demais Estados membros do espaço económico europeu, bem como pela legislação suíça, coordenados pelos regulamentos comunitários, ainda que não tenham sido beneficiários do sistema de segurança social nacional;
e)Abrangidos por sistemas de segurança social de Estados com os quais foram celebrados instrumentos internacionais que prevejam a totalização de períodos contributivos, desde que tenham sido beneficiários do sistema de segurança social nacional, ainda que não se encontre preenchido o prazo de garantia para acesso a pensão;
f)Abrangidos pelo regime de protecção social dos bancários, beneficiários da Caixa de Previdência dos Advogados e Solicitadores e da Caixa de Previdência do Pessoal da Companhia Portuguesa de Rádio Marconi.
CAPÍTULO II
Benefícios
Artigo 3.ºEfeitos da contagem de tempo de serviço
1 — A contagem do tempo de serviço militar efectivo, bem como das respectivas percentagens de acréscimo de serviço prestado por antigos combatentes em condições especiais de dificuldade ou perigo, releva para efeitos da atribuição dos benefícios previstos na presente lei, sem prejuízo do disposto em legislação própria relativa aos efeitos da contagem do tempo de serviço militar efectivo no âmbito do sistema previdencial da segurança social.
2 — O tempo de serviço militar bonificado conta para efeitos de prazo de garantia nos mesmos termos que o tempo de serviço militar obrigatório.
3 — O período de prestação do serviço militar dos antigos combatentes cidadãos deficientes militares, a que se refere o artigo 8.º da Lei n.º 9/2002, de 11 de Fevereiro, releva para efeitos de aposentação ou reforma, ainda que esse tempo tenha sido considerado para efeitos de fixação da pensão de invalidez ou de reforma extraordinária.
Artigo 4.ºDispensa do pagamento de contribuições
1 — Os antigos combatentes que se encontrem abrangidos pela Lei n.º 9/2002, de 11 de Fevereiro, estão dispensados do pagamento das contribuições estabelecidas ao abrigo do Decreto -Lei n.º 311/97, de 13 de Novembro, na redacção dada pelo Decreto -Lei n.º 438/99, de 29 de Outubro.
2 — A partir da entrada em vigor da presente lei, a contagem, no âmbito da Caixa Geral de Aposentações, do tempo de serviço efectivo e das respectivas percentagens de acréscimo, ao abrigo da Lei n.º 9/2002, de 11 de Fevereiro, é efectuada com dispensa do pagamento de quotas.
3 — Para efeito do disposto no número anterior, não relevam a desistência do requerente da contagem após a mesma ter sido efectuada e a circunstância de o pagamento da dívida de quotas apurada não ter sido efectuado.
Artigo 5.ºComplemento especial de pensão
1 — O complemento especial de pensão previsto no artigo 6.º da Lei n.º 9/2002, de 11 de Fevereiro, atribuído aos pensionistas dos regimes do subsistema de solidariedade é uma prestação pecuniária cujo montante corresponde a 3,5 % do valor da pensão social por cada ano de prestação de serviço militar ou o duodécimo daquele valor por cada mês de serviço.
2 — O complemento especial de pensão é pago, anualmente, no mês de Outubro, correspondendo a 14 mensalidades.
Artigo 6.ºAcréscimo vitalício de pensão
O acréscimo vitalício de pensão, previsto no artigo 7.º da Lei n.º 9/2002, de 11 de Fevereiro, é uma prestação pecuniária de natureza indemnizatória atribuída aos antigos combatentes:
a) Pensionistas do sistema previdencial de segurança social que tenham efectuado o pagamento de contribuições ao abrigo do Decreto -Lei n.º 311/97, de 13 de Novembro, na redacção dada pelo Decreto -Lei n.º 438/99, de 29 de Outubro;
b) Pensionistas da Caixa Geral de Aposentações que tenham prestado serviço militar em condições especiais de dificuldade ou perigo nos termos do artigo 6.º do Decreto--Lei n.º 28 404, de 31 de Dezembro de 1937, e demais legislação complementar, e cuja contagem, prévia ou final,
tenha sido efectuada até 2 de Julho de 2004 ou, posteriormente, mediante o pagamento das respectivas quotas ou contribuições.
Artigo 7.ºCálculo do acréscimo vitalício de pensão
1 — O acréscimo vitalício mensal de pensão é calculado segundo a fórmula seguinte:AV = coeficiente actuarial × C
2 — Para efeitos do número anterior, considera -se: V— acréscimo vitalício mensal de pensão; Coeficiente actuarial — correspondente à idade do beneficiário em 1 de Janeiro de 2004, para os antigos combatentes pensionistas em 3 de Julho de 2004, ou na data do início da pensão, para as demais situações, conforme tabela em anexo à presente lei e que dela faz parte integrante; C
— corresponde, no âmbito da segurança social, ao montante das contribuições pagas ao abrigo do Decreto--Lei n.º 311/97, de 13 de Novembro, devidamente actualizadas, nos termos do Decreto -Lei n.º 187/2007, de 10 de Maio, ou, no âmbito da CGA, à parte a suportar pelo Estado do montante que seria devido pela contagem, na data a que se reporta o início do direito ao acréscimo vitalício de pensão, da bonificação do tempo de serviço militar prestado em condições especiais de dificuldade ou perigo, mediante aplicação das regras estabelecidas no Estatuto da Aposentação e com base na pensão auferida nessa data.
3 — O valor anual do acréscimo vitalício de pensão tem por limite os valores mínimo e máximo do suplemento especial de pensão.
4 — O acréscimo vitalício de pensão é pago, anualmente, no mês de Outubro, correspondendo a 12 mensalidades.
Artigo 8.ºSuplemento especial de pensão
1 — O tempo de serviço bonificado releva para efeitos de taxa de formação da pensão através da atribuição do suplemento especial de pensão.
2 — O montante do suplemento especial de pensão é calculado em função do tempo de serviço militar prestado em condições especiais de dificuldade ou perigo.
3 — São beneficiários desta prestação os antigos combatentes pensionistas de invalidez ou de velhice, reformados ou aposentados referidos no artigo 2.º que não sejam titulares dos benefícios mencionados nos artigos anteriores.
4 — O montante anual do suplemento especial de pensão é atribuído aos antigos combatentes de acordo com os seguintes critérios:
a) € 75 aos que detenham uma bonificação de tempo de serviço até 11 meses;
b) € 100 aos que detenham uma bonificação de tempo de serviço entre 12 e 23 meses;
c) € 150 aos que detenham uma bonificação de tempo de serviço igual ou superior a 24 meses.
5 — O suplemento especial é pago, anualmente, no mês de Outubro.
Artigo 9.ºAcumulação
1 — Os benefícios decorrentes das Leis n.os 9/2002, de 11 de Fevereiro, e 21/2004, de 5 de Junho, bem como da presente lei, não são acumuláveis entre si.
2 — Os benefícios previstos na presente lei são acumuláveis com quaisquer outras prestações que o antigo combatente tenha ou venha a ter direito.
Artigo 10.ºActualizaçãoOs benefícios previstos na presente lei são actualizados anualmente de acordo com os indicadores previstos no artigo 5.º da Lei n.º 53 -B/2006, de 29 de Dezembro, nos seguintes termos:
a) O complemento especial de pensão e o suplemento especial de pensão, com efeitos a partir do dia 1 de Janeiro;
b) O acréscimo vitalício de pensão, na medida do necessário para o respeito do valor mínimo estabelecido no n.º 3 do artigo 7.º da presente lei.
Artigo 11.ºAcesso ao serviço nacional de saúde
Os benefícios atribuídos ao abrigo da presente lei não relevam para efeitos de aplicação do regime de isenção das taxas moderadoras de acesso aos cuidados de saúde no âmbito do Serviço Nacional de Saúde.
CAPÍTULO III
Processamento e administração
Artigo 12.ºAtribuição
1 — O direito aos benefícios previstos na presente lei depende de o antigo combatente, à data do seu vencimento:
a) Ser titular de pensão de invalidez ou velhice ou de aposentação, salvo quando esteja em causa a contagem do tempo de serviço efectivo e das respectivas percentagens de acréscimo com dispensa do pagamento de contribuições ou quotas;
b) Ter apresentado requerimento para atribuição dos benefícios previstos na presente lei, ao abrigo da Lei n.º 9/2002, de 11 de Fevereiro, ou da Lei n.º 21/2004, de 5 de Junho, e legislação complementar.
2 — O reconhecimento do direito à contagem, prévia ou final, do tempo de serviço militar com dispensa do pagamento de quotas ou contribuições, bem como aos restantes benefícios previstos na presente lei, não pode preceder a certificação do tempo de serviço militar efectivo e bonificado pelo Ministério da Defesa Nacional.
3 — Para efeitos de determinação do direito ao suplemento especial de pensão aos beneficiários previstos nas alíneas d) e e) do artigo 2.º da presente lei, presume -se a situação de pensionista de velhice a partir dos 65 anos de idade, salvo se comprovada a situação de pensionista através de documento emitido pela respectiva entidade processadora da pensão.
4 — A bonificação da contagem de tempo prevista no artigo 3.º da Lei n.º 9/2002, de 11 de Fevereiro, aplica-se aos cônjuges sobrevivos, pensionistas de sobrevivência dos antigos combatentes.
5 — O direito às prestações pecuniárias previstas na presente lei vence -se, por inteiro, no dia 1 do mês de Outubro.
Artigo 13.ºContagem do tempo de serviço
O tempo de serviço militar prestado em condições de dificuldade ou perigo a que se referem as Leis n.os 9/2002, de 11 de Fevereiro, e 21/2004, de 5 de Junho, é contado nos termos definidos no artigo 6.º do Decreto -Lei n.º 28 404, de 31 de Dezembro de 1937, e demais legislação complementar.
Artigo 14.ºEntidades competentes
1 — A certificação do tempo de serviço militar efectivo e bonificado é efectuado na sequência da apresentação do requerimento previsto na alínea b) do n.º 1 do artigo 12.º e compete ao Ministério da Defesa Nacional.
2 — Compete à Direcção -Geral de Pessoal e Recrutamento Militar do Ministério da Defesa Nacional integrar, gerir e consolidar os dados constantes dos requerimentos e das certificações do tempo de serviço militar e remeter os mesmos à entidade responsável pelo reconhecimento dos respectivos benefícios.
3 — Os elementos constantes dos requerimentos dos antigos combatentes e os dados recolhidos pelos ramos das Forças Armadas são integrados na base de dados dos antigos combatentes do Ministério da Defesa Nacional.
4 — O reconhecimento do direito aos benefícios e o pagamento das prestações pecuniárias previstos na presente lei compete:
a) À Caixa Geral de Aposentações relativamente aos antigos combatentes abrangidos pelo regime de protecção social da função pública;
b) À Caixa de Previdência dos Advogados e Solicitadores, à Caixa de Previdência do Pessoal da Companhia Portuguesa da Rádio Marconi, ou às entidades gestoras do sistema de protecção social dos trabalhadores bancários, para os antigos combatentes beneficiários de cada um dos regimes geridos por estas entidades;
c) Ao Instituto de Segurança Social, I. P., relativamente aos restantes antigos combatentes. Artigo 15.ºRequerimentoOs pedidos de contagem do tempo de serviço militar para efeitos de atribuição dos benefícios previstos na presente lei podem ser apresentados a todo o tempo.
CAPÍTULO IV
Disposições complementares, finais e transitórias
Artigo 16.ºSatisfação de encargos
O financiamento dos encargos decorrentes da aplicação da Lei n.º 9/2002, de 11 de Fevereiro, do Decreto -Lei n.º 160/2004, de 2 de Julho, e da Lei n.º 21/2004, de 5 de Junho, bem como da presente lei, é suportado pelo Orçamento do Estado, com excepção dos relativos a período anterior à entrada em vigor da presente lei que são da responsabilidade do Ministério da Defesa Nacional, através da Lei de Programação de Infra -Estruturas Militares.
Artigo 17.ºDisposições transitórias
1 — Os pedidos de contagem do tempo de serviço militar para efeitos de aposentação ou reforma, para atribuição dos benefícios previstos na presente lei, efectuados por antigos combatentes abrangidos pelas Leis n.os 9/2002, de 11 de Fevereiro, e 21/2004, de 5 de Junho, que deram entrada nos prazos legalmente determinados, consideram-se, para todos os efeitos, como apresentados em 31 de Dezembro de 2002, não havendo lugar, em nenhuma circunstância, ao reconhecimento de direitos relativamente a período anterior a 1 de Janeiro de 2004.
2 — Os pedidos de contagem do tempo de serviço militar para efeitos de aposentação ou reforma, para atribuição dos benefícios previstos na presente lei, efectuados por antigos combatentes abrangidos pelas Leis n.os 9/2002, de 11 de Fevereiro, e 21/2004, de 5 de Junho, que deram entrada para além dos prazos legalmente determinados, consideram -se, para todos os efeitos, como apresentados em 1 de Janeiro de 2008, não havendo lugar, em nenhuma circunstância, ao reconhecimento de direitos relativamente a período anterior a essa data.
3 — Consideram-se como prazos legalmente determinados, para efeitos do disposto nos números anteriores, os estabelecidos no n.º 1 do artigo 9.º da Lei n.º 9/2002, de 11 de Fevereiro, na redacção dada pelo Decreto -Lei n.º 303/2002, de 13 de Dezembro, e no n.º 1 do artigo 2.º da Lei n.º 21/2004, de 5 de Junho.
Artigo 18.ºExecução
Os formulários de requerimento, bem como os procedimentos necessários à execução da presente lei, são aprovados por portaria conjunta dos membros do Governo responsáveis pelas áreas das finanças, da defesa nacional e do trabalho e da solidariedade social.
Artigo 19.ºNorma revogatória
São revogados:
a) O artigo 4.º da Lei n.º 107 -B/2003, de 31 de Dezembro;
b) O Decreto -Lei n.º 303/2002, de 13 de Dezembro;
c) O Decreto -Lei n.º 160/2004, de 2 de Julho;
d) A Portaria n.º 141 -A/2002, de 13 de Fevereiro;
e) A Portaria n.º 1033 -HQ/2004, de 10 de Agosto; 240 Diário da República, 1.ª série — N.º 8 — 13 de Janeiro de 2009
f) A Portaria n.º 1307/2004, de 13 de Outubro;
g) A portaria n.º 167/2005 (2.ª série), de 1 de Fevereiro.
Artigo 20.ºRemissão
As referências legais efectuadas para disposições contidas nos diplomas objecto de revogação pela presente lei entendem-se feitas para as correspondentes disposições desta lei.
Artigo 21.ºConversão
1 — Os complementos especiais de pensão atribuídos ao abrigo do disposto nos artigos 4.º e 5.º do Decreto -Lei n.º 160/2004, de 2 de Julho, são convertidos no suplemento especial de pensão previsto no artigo 8.º da presente lei.
2 — O n.º 3 do artigo 7.º da presente lei é aplicável aos acréscimos vitalícios de pensão atribuídos ao abrigo do disposto no artigo 7.º do Decreto -Lei n.º 160/2004, de 2 de Julho.
Artigo 22.ºEntrada em vigor
A presente lei entra em vigor com a Lei do Orçamento do Estado referente ao ano económico seguinte ao da sua publicação.
Aprovada em 7 de Novembro de 2008.
O Presidente da Assembleia da República,
Jaime Gama.
Promulgada em 19 de Dezembro de 2008.
Publique -se.:
O Presidente da República, ANÍBAL CAVACO SILVA.
Referendada em 22 de Dezembro de 2008.
O Primeiro-Ministro, José Sócrates Carvalho Pinto de Sousa.
PS -Ressalvo qualquer lapso que possa existir nesta transcrição. Em caso de dúvida, deve consultar-se o original no Diário da República.

quinta-feira, 25 de dezembro de 2008

Feliz Natal para todos

Façam o favor de ser Felizes!

Os Oficiais Milicianos da CC 115

Gualter Leite de Freitas -Cmdt do 1º Pel

Lima Barreto -Cmdt do 2º Pel

Noca -Cmdt do 3º Pel


Natal de 1961 em Quicabo

Não me recordo de que tenha havido qualquer diferença para os restantes dias do mês de Dezembro daquele malfadado ano de 1961. A mesma rotina: patrulhas, vigilância, atênção.
A minha agenda refere apenas: "nem recebi correio!"
Em anos subsequentes começaram a aparecer algumas manifestações ou comemorações diferentes e, antecipadamente, faziam-se as gravações das célebres mensagens de natal para as famílias que, depois, seriam transmitidas no rádio e na televisão.
A propósito não posso deixar de transcrever um post do JUMENTO, a quem peço autorização e rendo as minhas homenagens pela clareza e justeza de opinião nele expressa:
"Umas das recordações da quadra natalícia que me ficaram da infância foram as horas intermináveis da RTP transmitindo as mensagens de Natal ds soldados portugueses que combatiam em África. Era curtas, cada soldado dizia o nome e o posto, desejava um bom Natal aos familiares e terminava invariavelmente com um “adeus e até ao meu regresso”.
Não sei o que me prendia ao televisor mas a inexistência de alternativas `RTP, a não ser a TVE, levou a que pelos meus olhos tivessem passado muitoss milhares de soldados portugueses, o “adeus, até ao meu regresso” ficou-me gravado para sempre na memória.
Recordo este facto para lembrar que muitos deles não regressaram, foram mandados para uma guerra pelo Estado português, morreram e por lá ficaram abandonados, alguns em cemitérios, muito nem isso, esquecidos por todos menos pelos seus familiares, muitos dos quais os terão visto pela última vez nestes programas da RTP.
Os portugueses foram-se esquecendo, uns porque o tema deixou de render, outros porque sentem vergonha deste lado da história, uns e outros esqueceram-nos, abandonado-os definitivamente. Os seus restos mortais ficaram por lá, esquecidos e abandonados. A maioria são soldados, gente pobre que não merece grande atenção dos poderes, morreram na guerra errada.
A ideia de um soldado morto não regressar à sua terra não é um exclusivo da guerra colonial, a Europa está pejada de cemitérios de soldados que morreram nas duas guerras mundiais. Mas depois da Segunda Grande Guerra o abandono dos militares mortos deixou de ser regra e é uma vergonha para Portugal que os seus soldados tenham sido esquecidos. Uma vergonha para Portugal e uma injustiça para as suas famílias, a quem tiraram os filhos sem nunca os terem devolvido.
Ser contra a guerra colonial não implica ter vergonha da nossa história e, muito menos, esquecer as maiores vítimas dessa guerra, é uma vergonha para o país tê-las esquecido. Recordo-os neste dia, que muitos dizem celebrar a família, porque são muitos os portugueses que também os recordam em silêncio, como se tivessem que ter vergonha por os seus filhos terem morrido em nome de um país com medo da sua história.
É tempo de Portugal honrar os seus soldados e trazer os seus soldados de volta a casa.
PS: Felizmente na minha família ninguém morreu em África, a minha geração escapou à guerra, da anterior tive um tio fuzileiro na Guiné e um outro numa companhia de caçadores nos primeiros tempos da guerra em Angola. Recuando mais um pouco, tive um avô na guerra civil de Espanha e um bisavô na guerra que a Espanha travou com os EUA em Cuba, todos regressaram vivos."

terça-feira, 23 de dezembro de 2008

Remodelação do Dispositivo

Após as duas grandes operações "BB" e "VASSOURA", em que as subunidades do BC 114 reforçadas com mais duas companhias de caçadores e subunidades de artilharia e cavalaria ligeira, estiveram fortemente empenhadas, a zona, desde Mabubas até Beira Baixa, foi considerada totalmente controlada mas não "limpa" e o Comando determinou uma nova disposição das forças na sua zona de intervenção e influência.
Assim, em 24 de Outubro a CC 117 rendeu a CC 115 na Fazenda Beira Baixa, a CC 116 ocupou Quissacala-Balacende e a CC 115 instalou-se em Quicabo, com um Pelotão na Ponte do Lifune, em Anapasso.
Neste dispositivo quadricular as missões não divergiram do que antes vinha acontecendo: patrulhas de reconhecimento e procura de informação sobre o inimigo e escoltas a colunas civis e militares de reabastecimento em toda a zona de acção.
Mais concretamente, em Quicabo, sede do Comando do Bat, melhoraram-se alguns apoios logísticos com a reparação do Posto de Socorros e casa do Chefe do Posto, tornando-os habitáveis, e, sobretudo com a construção de uma infra estrutura importante como era a pista para aterragem de aviões ligeiros.

Um dos primeiros aviões a aterrar em Quicabo, trazendo o tão desejado correio.
Depois foi o NorthAtlas a lançar os fardamentos camuflados para todo o pessoal do Batalhão sobre a pista onde não podia aterrar.
Entretanto eram tambem recebidas as G-3 para substituirem as velhinhas e preciosas Mauser.
A minha agenda refere vários patrulhamentos:
  1. Reabastecimento de vários géneros a Quissacala em 28 de Outubro;
  2. Patrulha apeada a Cachila e arredores, no dia 29;
  3. Nova patrulha a Cachila em 3 de Novembro;
  4. Em 5 patrulha a Anapasso, Ponte do Lifune;
  5. Em 9 escolta de uma grande coluna de viaturas civis até Quissacala;
  6. Em 12 o 3º Pelotão ocupou Balacende, onde permaneceu até dia 20, regressando de novo a Quicabo. Durante esta estadia em Balacende houve umas cenas com uma manada de pacaças, na sequência de uma operação na região de Mimbota. Apanhámos um veado.
  7. Foram dias muito chuvosos, estes, passados em Balacende;
  8. Em 20 regresso a Quicabo e em 21 "passeio" a Mabubas e Caxito: uma patrulha para esta zona era considerada passeio.
Nesta altura o "Forte Quicabo" era um sítio onde se podia estar à vontade e fazer uma vida quase normal. De tal modo que alguns oficiais mandaram vir as esposas, tendo os casados e acompanhados ocupado o Posto de Socorros e Casa do Chefe do Posto. Eram quatro senhoras muito distintas, qual delas a mais elegante, cuja presença muito animou todo o pessoal que desde há vários meses não via população civil, com todas as consequências daí resultantes, como facilmente se depreenderá.
O mês de Dezembro já começara e aproximava-se o Natal com toda a sua carga emocional e afectiva.
Aqui ficam duas fotos da época:

Alferes Barreto, Tenente ACP, Capitão Falcão e Alferes Noca

Em pé: Soldados David, Tanquerêdo, Novo e Marinho

Em 1º plano: Cabo Bolrão, Cabo Farias, solds Arlindo e Magalhães