quarta-feira, 28 de maio de 2008

O N/M Niassa

O N/M Niassa era uma embarcação de transporte mixto, de passageiros e carga, que foi adaptado para transporte de tropas em situação de emergência. Os camarotes de passageiros passaram a receber o dobro dos ocupantes e os porões foram transformados em casernas cheias de beliches até aos tetos de cada porão, de modo a poder transportar cerca de dois mil homens em cada viagem.
Aqui vai uma fotografia da embarcação que nos levou até Luanda, partindo de Lisboa em 28 de Maio de 1961, na sua segunda viagem com aquele destino.

Embarque em Lisboa - Cais de Alcântara - 28MAI61

A alvorada do dia 28 de Maio de 1961 teria sido igualzinha a tantas outras, não fosse a circunstância de ser o dia previsto para o segundo grande embarque de tropas para Angola no N/M NIASSA, a partir do Cais de Alcântara, em Lisboa.
Por esse motivo nem sei já se dormimos na noite de 27. Grande parte não pregou olho. O certo é que ao alvorecer do dia 28 estava a CC 115 sobre rodas, a caminho da Estação de Caminho de Ferro de Mafra. Aí, tomado o comboio especial para a tropa, lá vamos na primeira etapa rumo ao desconhecido. A maioria nunca teria feito aquele percurso de comboio até Lisboa. Recordo bem a passagem pelos apeadeiros e estações sem parar, nomeadamente a passagem no troço do Vale de Alcântara, com o Aqueduto das Águas Livres a esmagar-nos e o Casal Ventoso pendurado sobre os túneis que ali há.
No Cais de Alcântara, os expedicionários que haviam de superlotar o cargueiro NIASSA, transformado em transporte de tropas, em circunstâncias difíceis de entender e piores de suportar, (era o que havia), formaram em parada ocasional para o discurso da praxe e despedida do Ministro da Defesa.

Não havia muita gente a despedir-se. As grandes multidões de familiares e outros, em grande parte mobilizados pelos opositores à guerra e ao regime, só muito mais tarde se verificariam.

A entrada a bordo foi de grande curiosidade para todos. Havia mesmo algum entusiasmo e entrega generosa a uma causa que não era bem conhecida, mas que se pensava ser do interesse de Portugal. Não havia ideal político, mas antes sentimento de solidariedade para com portugueses que estavam sendo afectados na sua integridade física e patrimonial. Os interesses dos outros, ninguém se preocupava com eles nem isso interessava que fosse discutido

terça-feira, 27 de maio de 2008

Convívio da CC 117

Decorreu em Trofa no passado dia 25 o Convívio dos militares da CC 117, com grande emotividade e espírito de camaradagem, como sempre foi apanágio dos militares do BC 114. Aqui vão duas fotos desse grande evento, que me enviou o Camarada B. Morim.



segunda-feira, 26 de maio de 2008

Evocação - Homenagem

Morreu o nosso Comandante de Companhia - da CC 115! Notícia confirmada!
O Capitão Alípio Emílio Tomé Falcão, (Major-General), foi Homem dotado de grandes qualidades de liderança baseada em princípios muito definidos e aceites, foi para todos nós, um guia que seguimos, durante dois anos, em condições e tarefas muito difíceis, que levámos a bom termo, sob a sua direcção. Lembramo-lo com respeito e muita saudade!
Aqui deixo uma foto em que ele no alto do monte M'ZULA, junto a Quicabo, procedia a uma observação da região, planeando operações que iríamos levar a efeito.

domingo, 25 de maio de 2008

Desfile da CC 115

Terminada a cerimónia em parada, seguiu-se o desfile militar de todas as subunidades integrantes. Segue-se um pormenor de um Pelotão da CC 115.
Aumente o zoom, clicando, para melhorar a fotografia.

25 de Maio de 1961 - Despedida da EPI

Terminadas as férias para despedida dos familiares e amigos, decorreu no dia 25 de Maio de 1961 a cerimónia oficial de despedida da Unidade Mobilizadora - Escola Prática de Infantaria, da sua Companhia de Caçadores 115. A cerimónia decorreu no Terreiro frente ao Convento de Mafra, com a CC 115 ao centro e as Companhias de Instrução dos COM e CSM à direita e à esquerda respectivamente, em postura de Guarda de Honra.
O Comandante da EPI fez o discurso de circunstância, seguido da entrega do Gião, símbolo da unidade da própria Companhia e elo de ligação perene à Unidade Mãe, a Escola Prática de Infantaria.

Nota: clik sobre a imagem para aumentar

terça-feira, 20 de maio de 2008

Mafra e a Escola Prática de Infantaria

História da EPI-Escola Prática de Infantaria * LOMBA

ESBOÇO HISTÓRICO

As relações de Mafra com a Infantaria são bem antigas, pois em 1809, na preparação para fazer face à terceira invasão francesa, Beresford estabelece no Convento um "DEPÓSITO DE RECRUTAS DE INFANTARIA", com a missão de receber e instruir os soldados novos antes de se incorporarem nas unidades da Arma.

Guilherme Ferreira de Assunção no seu livro "À SOMBRA DO CONVENTO" refere que o conde Raczynski terá afirmado que em edifício de tão grandes dimensões seria possível alojar alguns regimentos. Escreve, ainda, que D. Maria II, após visitas à vila de Mafra, tinha reconhecido a vantagem da instalação de um corpo militar no Convento.

A partir de 1841, segundo o mesmo autor, o Convento começou a ser ocupado por militares. O Batalhão de Caçadores n.º 27 foi o primeiro e depois seguiram-se:

- Batalhão de Caçadores n.º 8; - Infantaria 1, 2, 5, 7,10, 12, 15, 16, 17 e 23; - Caçadores 1, 2, 3, 4, 5, 6 e 8; - Artilharia n.º 4; - Lanceiros n.º 2; - Cavalaria 4, 9, e 10.

1846 - Por diploma de 20 de Dezembro, sendo ministro da guerra o Conde de Tomar, é prevista a organização de campos de instrução, alguns com escolas militares que davam continuidade ou desenvolviam algumas escolas existentes em unidades militares.

ESCOLA PRÁTICA DE INFANTARIA E CAVALARIA:

1887 - Por carta de lei de 22 de Agosto, reinado de D. Luís I, o ministro da guerra Visconde de S, Januário - funda a Escola Prática de Infantaria e Cavalaria que começa a funcionar no CONVENTO DE MAFRA. Assim se materializou naquele ano, a ideia da criação de escolas práticas destinadas ao desenvolvimento da instrução profissional dos oficiais de infantaria e de cavalaria, reunindo-se num estabelecimento a instrução prática das duas armas, por se terem achado comuns às duas, algumas especialidades de instrução militar.

1888 - A 9 de Janeiro, sendo comandante o Coronel César Augusto da Costa é publicada a primeira Ordem de Serviço. Nesse mesmo ano inicia-se a construção da carreira de tiro, considerada na época a melhor do país.

ESCOLA PRÁTICA DE INFANTARIA:

1890 - Em 17 de Abril, três anos após a fundação, separam-se as escolas de infantaria e cavalaria, continuando a primeira a funcionar em Mafra e em 24 do mesmo mês é publicado o regulamento inicial da Escola Prática de Infantaria. Pretende-se além do estipulado pela regulamentação de 1887, completar a instrução prática dos oficiais saídos da Escola do Exército e habilitar os indivíduos dos diferentes graus hierárquicos na prática de todos os serviços que eram os da Arma, experimentar armas de fogo, estudar melhoramentos no equipamento e fardamento da infantaria. Pelo mesmo regulamento era dividida a Escola em duas secções - Tiro, Esgrima e Ginástica.

1890 - Em 29 de Abril é publicada a primeira ordem de serviço da Escola Prática de Infantaria de que era comandante o coronel Joaquim Herculano Rodrigues Galhardo.

1893 - Subscrito pelo general Luís Augusto Pimentel Pinto, é publicado a 25 de Outubro o novo regulamento da EPI em que fica estabelecido o quadro orgânico e definida a missão no que respeita à instrução da Arma.

1902 - Por regulamentação desse ano definem-se os princípios estruturais expressos do antecedente, iniciando-se assim os cursos de promoção a oficial superior e passando a funcionar na EPI a Escola Central de Sargentos.

1911 - Passa a Escola a designar-se Escola de Tiro da Infantaria, dedicando-se especial interesse à instrução de tiro e concretizando-se a evolução verificada no exército pela qual era atribuída menor importância à instrução táctica dos quadros.

1920 - 1º Curso da Escola Central de Sargentos.

1926 - Em 17 de Setembro cria-se finalmente a Escola Prática de Infantaria, designação que se mantém até ao presente. Na década de 40 a EPI mobilizou o BI 20 para os Açores e destacou, na década de 50, o Batalhão Vasco da Gama para a Índia.

De 1961 a 1974 a EPI desenvolveu um extraordinário esforço na preparação e formação de quadros para a guerra de África, tendo destacado a Companhia de Caçadores 115 para Angola e a Companhia de Caçadores 176 para Moçambique.

Em 25 de Abril de 1974, a Escola foi uma das Unidades mais determinantes na "Revolução dos cravos", contribuindo decisivamente para a restauração da democracia e liberdade em Portugal.

"Sendo fiéis à ideia tida e à palavra dada" (transcrição de parte da placa comemorativa do 20 anos do 25 de Abril, colocada na Porta D´ Armas) a Escola volta a ter papel relevante em 25 de Novembro de 1975.

Nota do bloger: Fui retirar este esboço histórico a http://www.lomba.no.sapo.pt, por me parecer o melhor conseguido. Ao seu autor a devida vénia com as minhas homenagens e agradecimento.
PS. Sublinhado do bloguer